O DIÁRIO / OS DIAS NO MEIO DO CAMINHO
A despedida no aeroporto no namoro a distância
Como atravessar a despedida no fim de uma visita no namoro a distância, da última manhã e do portão de embarque até a primeira noite sozinho em casa.
Existe um silêncio muito específico na área de embarque de um aeroporto. Motores ligados, as rodinhas de uma mala na calçada e duas pessoas tentando caber semanas de sentimento em um último abraço. Se você está num namoro a distância, provavelmente conhece bem essa cena. Despedidas não ficam fáceis, mas podem ficar mais suaves, e as horas seguintes podem doer um pouco menos com algum cuidado.
O dia antes do último dia
A tristeza costuma chegar adiantada. Muitos casais sentem que o último dia inteiro da visita é meio gasto antecipando a despedida. Você pode ficar mais quieto que o normal, irritado, ou de repente ocupadíssimo com coisinhas. É normal, e ajuda dar nome a isso em vez de fingir que não está acontecendo. "Já tô triste com amanhã" é uma frase honesta, e quase sempre aproxima em vez de estragar o dia.
Algumas coisas que suavizam esse finalzinho:
- Façam a mala na noite anterior, para a última manhã não ser gasta procurando carregador.
- Planejem uma última refeição simples de que os dois gostem, em vez de algo ambicioso.
- Combinem mais ou menos quando vão se ver de novo, mesmo que seja só "no feriado de novembro" ou "nas férias".
- Decidam juntos como querem se despedir: na porta de casa, na calçada do aeroporto ou no raio-x.
Escolham a despedida de propósito
Não existe jeito certo de se separar. Tem quem queira cada minuto possível, até a fila do raio-x. Tem quem não aguente despedida longa e prefira uma rápida em casa, depois ir sozinho até o metrô. Conversem antes, porque é comum quererem coisas diferentes e ninguém falar na hora por vergonha.
Se você é quem fica, pense no que vai fazer logo depois. Voltar dirigindo do aeroporto para um apartamento vazio é um dos trajetos curtos mais solitários que existem. Ter algo esperando, como um amigo para ligar ou uma tarefa para resolver, ajuda a passar a primeira hora.
Um pequeno ritual segura muita coisa
Rituais dão forma a algo que, sem eles, só dói. Não precisam ser elaborados. Alguns que os casais inventam:
- As mesmas últimas palavras toda vez, ditas no mesmo lugar.
- Um bilhete escondido no bolso do casaco ou na mala, encontrado já no avião.
- Uma foto juntos no aeroporto em toda despedida, para que a sequência vire um registro de quantas vezes vocês já fizeram isso e voltaram.
- Uma mensagem do portão de embarque e uma resposta esperando quando o avião pousar.
Com o tempo, esses gestos fazem cada despedida parecer menos um fim e mais parte de um padrão conhecido em que os dois confiam.
A primeira noite
Para muita gente, o mais difícil não é o aeroporto, e sim a primeira noite. A casa fica silenciosa demais. A caneca dela ainda está na pia. Você procura a pessoa dormindo. Espere por isso e seja gentil com você.
Pode ajudar:
- Deixar alguns vestígios no lugar por um ou dois dias em vez de arrumar tudo na hora. Algumas pessoas se consolam com isso; se com você é o contrário, guarde tudo e está tudo bem.
- Comer alguma coisa de verdade, mesmo sem vontade.
- Fazer a ligação daquela noite ser curta se os dois estiverem exaustos. Um "cheguei, te amo, vai dormir" de dois minutos pode bastar.
- Deitar num horário normal em vez de rever todas as fotos da visita às duas da manhã.
Os dias seguintes
Voltar logo para a rotina costuma ser mais gentil do que esperar se sentir melhor primeiro. Vá trabalhar, encontre uma amiga, faça a caminhada de sempre. A vida normal não é traição à saudade. É o jeito de seguir até a próxima visita.
Também ajuda ter algo no horizonte. Pode ser a data da próxima visita, uma videochamada longa no fim de semana ou um projeto em comum, como uma série que vocês vão assistir ao mesmo tempo. Alguns casais transformam as fotos da visita em uma pequena página com uma carta e uma contagem regressiva para a próxima, para ter algo que olhe para a frente, e não só para trás.
Quando as despedidas pesam cada vez mais
Para muitos casais, se despedir fica um pouco mais administrável com a prática. Para outros, pesa mais com o tempo, principalmente quando não há um fim à vista para a distância. Se esse é o seu caso, talvez valha uma conversa calma, fora do momento da despedida, sobre qual é o plano a longo prazo. Uma despedida muito pesada às vezes é sinal de que o namoro precisa de um horizonte, não de que esteja dando errado.
E se a tristeza depois da separação durar semanas, atrapalhar seu sono ou seu trabalho, ou virar algo que parece mais do que saudade, vale conversar com um médico ou um psicólogo. Não é exagero. É se cuidar enquanto espera.
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