long distance page

O DIÁRIO / OS DIAS NO MEIO DO CAMINHO

Com que frequência casais a distância devem se falar?

Não existe um número certo de ligações por semana. Veja como encontrar um ritmo de ligações e mensagens que caiba na vida dos dois, e como ajustar quando algo muda.

É uma das primeiras perguntas que surgem quando o namoro vira a distância, e uma das que mais deixam a gente ansioso. Precisa ligar toda noite? Trocar mensagem o dia inteiro? Falar duas vezes por semana é sinal de que tem algo errado? A resposta honesta é que não existe um número que sirva para todo mundo. Mas existe um jeito confiável de achar o número que serve para vocês dois.

Por que uma regra fixa quase nunca encaixa

Casais são diferentes em quase tudo o que afeta o contato. Um pode trabalhar de madrugada. O outro pode estar na faculdade com uma semana imprevisível. Tem gente que recarrega conversando e gente que precisa de uma noite quieta para voltar a ser quem é. O fuso horário pode reduzir o tempo em comum a uma hora. Uma regra copiada de uma amiga ou de um fórum ignora tudo isso.

Importa menos a quantidade e mais se os dois terminam as conversas se sentindo conectados, e não esgotados, e se o ritmo aguenta meses, não só uma semana boa.

Comecem pelo que cada um quer de verdade

Antes de negociar, seja honesto com você. Tente completar estas frases sozinho e depois compartilhem:

Talvez vocês descubram que querem coisas diferentes. Um pode querer uma ligação curta todo dia; o outro, duas ligações longas por semana e mensagens no meio. Isso é normal. Necessidades diferentes não são problema de compatibilidade: são problema de agenda, e agenda tem solução.

Montem o ritmo em camadas

Em vez de uma regra grande, costuma ajudar pensar em três camadas.

O fio

Contato leve ao longo do dia: um bom dia, uma foto, uma figurinha, um "cheguei". Essa camada diz "você faz parte do meu dia". Para muitos casais, ela pesa mais do que a duração de qualquer ligação.

A ligação marcada

Um horário previsível com que os dois podem contar: quinze minutos antes de dormir durante a semana, ou uma ligação longa todo domingo. A palavra-chave é previsível. Uma ligação que dá para esperar com vontade traz mais segurança do que três ligações surpresa em horários ruins.

A ocasião

Algo menos frequente e que pareça diferente: ver um filme juntos por chamada de vídeo, fazer a mesma receita, sair para caminhar cada um na sua cidade com fone de ouvido. São os encontros de vocês, e evitam que o namoro vire só prestação de contas.

Dá para ajustar cada camada separadamente. Talvez o fio seja diário, a ligação marcada três vezes por semana e a ocasião a cada quinze dias. Se ajudar, escrevam; ter um plano não tira o romantismo de nada.

Sinais de que o ritmo precisa de ajuste

Um ritmo que funcionava em março pode não funcionar na época de provas ou depois de um emprego novo. Fiquem atentos a sinais assim:

Nada disso quer dizer que o namoro está acabando. Quer dizer que a agenda ficou velha.

Falar menos não é amar menos

É fácil usar a frequência como medida de compromisso: se liga menos, gosta menos. Às vezes é verdade, mas quase sempre não é. As pessoas ficam quietas porque estão cansadas, sobrecarregadas ou simplesmente num mês puxado.

Se a mudança te preocupa, pergunte direto e sem acusar. "Percebi que a gente está se falando menos e estou com saudade. Está tudo bem aí?" abre uma conversa. "Você nunca mais me liga" fecha.

Também é normal, e saudável, que os dois tenham uma vida cheia onde estão. Alguém com amigos, hobbies e programas não está se afastando: está construindo uma vida que vocês vão dividir um dia.

Quando quase não dá para conversar

Algumas fases são magras: plantões longos, viagem a trabalho, doze horas de fuso, uma emergência na família. Nesses períodos, as formas mais lentas de contato pesam mais. Um áudio comprido para ouvir no caminho. Uma carta. Uma pequena página com algumas fotos e a contagem regressiva para a próxima visita, algo que dá para abrir em cinco minutos livres. Não substituem a conversa, mas fazem as lacunas parecerem acompanhadas, e não vazias.

E quando uma fase difícil termina, ajuda dar nome a ela: "Foram semanas puxadas. Que bom que voltamos às nossas ligações de domingo." Dar nome transforma uma lacuna em algo que vocês atravessaram juntos.

CONTINUE LENDO